Os preços das mercadorias e serviços são determinados pela oferta e procura dos mesmos. Assim, por exemplo, na safra do tomate, a quantidade de tomate ofertado aumenta. Por ser um produto perecível, não podendo ser estocado, ele precisa ser imediatamente consumido, aumentando portanto a sua oferta. Isso leva a uma redução do seu valor.
No período da entre-safra, a produção cai e conseqüentemente o seu valor é aumentado, mostrando uma flutuação nos preços. Assim, a população consome mais tomate na época de mais oferta, substituindo o tomate por outros alimentos na época de menos oferta. Isto faz com que o preço do tomate não aumente tanto.
A quantidade de dinheiro que circula no país é controlada pelo Banco Central. Quando o valor em dinheiro arrecadado pelo governo para pagar suas contas é insuficiente, ele tem as seguintes soluções:
- aumentar impostos,
- tomar emprestado,
- ou simplesmente imprimir mais cédulas.
Se o governo optar pela última solução, então, ele simplesmente se utiliza de papéis sem valor para imprimir dinheiro, e com ele paga as suas dívidas ou faz suas obras. Que milagre é esse que faz com que um simples pedaço de papel após tingido passe a ter valor?! A resposta é simples. Esses papéis tingidos, ao passarem pelos caixas do governo, aumentam o meio circulante da nação. Sendo assim, de maneira análoga ao caso dos tomates, essa maior oferta de dinheiro disponível no mercado desvaloriza todo o dinheiro existente, ou seja, cada nota passa a valer menos e por conseguinte, o mesmo valor em dinheiro passa a ter menos poder de compra. Para compreender melhor essa questão, imaginemos uma sociedade fechada, que possui 1000 notas em circulação. Se o governo dessa sociedade imprime mais 100 notas para fazer suas despesas, esse aumento para 1100 notas continua valendo o mesmo que as 1000 notas iniciais de acordo com a lei da oferta e procura. Assim, um país emite dinheiro sem o conhecimento da nação para substituir impostos que ele não pode aumentar, o que indiretamente acabam sendo pagos proporcionalmente por cada um dos habitantes de acordo com a quantidade de dinheiro que ele possui. Essa situação ocorreu no Brasil quando o governo obrigou o Banco Central a emitir dinheiro para cobrir as despesas, criando inflações galopantes conforme o grau de necessidade do governo para pagar as suas contas. Por isso, em muitos países, o Banco Central é independente a fim de que os governantes não usem esse procedimento ilícito de cobrar impostos.
No Brasil, tanto dinheiro foi emitido em determinadas épocas, criando uma inflação tão acentuada que traumatizou os brasileiros.
Inflação de demanda
Inflação de demanda ocorre quando a procura por um bem é maior do que a sua oferta.
Quando os bancos aumentam a disponibilidade de crédito, aumenta também o poder aquisitivo da população, ocasionando uma inflação de demanda, pois a população com mais dinheiro disponível leva ao aumento da procura pelos bens sem aumentar os estoques dos fornecedores. Então, estes aproveitam o aumento da procura para aumentar seus preços.
Controle da Inflação
Uma das funções do Banco Central é administrar a inflação. Ele faz isso, controlando a emissão de papel moeda e também a oferta e procura por empréstimos através das taxas de juros cobrados pelos bancos.
Taxa SELIC
Taxa SELIC é o valor da taxa de juros definido pelo governo através do Banco Central para remunerar os investidores que aplicam nos papéis do governo brasileiro. Então, seu valor é definido pela necessidade de captação de recursos pelo governo para pagar as suas dívidas.
Essa taxa não tem nada a ver com disponibilidade de créditos oferecida pelos bancos para a população, pois essa só tem acesso a empréstimos através das taxas dos juros bancários. Por exemplo, hoje, dia 28/04/2005, a taxa SELIC tem um valor determinado pelo Banco Central de 19,5% ao ano, enquanto os juros bancários disponíveis para a população variam ao bel prazer dos bancos de 60% até na ordem de 200% ao ano, sem nenhum controle por parte do Banco Central. Portanto, o controle da taxa SELIC determina apenas a remuneração aos investidores que aplicam nos papéis do governo, ou seja o custo que o governo tem para rolar sua dívida; salientamos, que atualmente no nosso país, os empréstimos são feitos exclusivamente para saldar dívidas.
A teoria econômica que prediz que, ao aumentar os juros que a população usa nos seus empréstimos para adquirir bens e serviços está correta; o que não está certo é o Banco Central aumentar o valor da dívida brasileira através da taxa SELIC, usando o malicioso argumento de que está combatendo a inflação. Tal argumento é imediatamente aceito por uma população já traumatizada pelas galopantes inflações que têm ocorrido no país. O controle da inflação só se firmaria através da administração dos juros bancários.
Quando o Banco Central varia a taxa SELIC de +- 0,5% sobre uma taxa de 19,5% ao ano como se estivesse controlando a inflação, o sistema bancário acrescenta também +- 0,5% sobre as taxas bancárias para ludibriar as autoridades financeiras como se as taxas bancárias dependessem da taxa SELIC.
A taxa SELIC não tem nada a ver com o controle da inflação; tanto isso é verdade que o governo levou o valor da taxa de 25% ao ano para 16% ao ano sem que houvesse nenhuma modificação significativa nos índices de inflação, e ela poderia chegar até na ordem de 3% ao ano sem afetar em nada os índices de inflação. No entanto, por interesses que não são aqueles da população, alegando um combate fictício à inflação, voltou a elevar as taxas SELIC para o valor de 19,5% ao ano. Lembremos que, para um país que deve quase 1 trilhão de reais, cada 1% no aumento da taxa SELIC significa o aumento da dívida do governo em 10 bilhões de reais por ano. Logo, se o Brasil tivesse uma taxa SELIC como a dos países civilizados, da ordem de 2% ao ano ao invés da taxa atual de 19,5% anual, nosso país faria uma economia de 175 bilhões de reais anuais. Os juros é o nosso maior problema!
O Brasil está passando por várias dificuldades financeiras por falta de verbas para:
- saúde,
- educação,
- energia,
- transporte,
- segurança pública, etc.
Mas se houvesse uma taxa SELIC justa, teríamos condições de resolver todas as dificuldades acima, e uma taxa SELIC justa só depende da boa vontade do governo, que só não a implementa, porque os seus integrantes foram convencidos por aqueles economistas que decoram as leis da Economia e usa-as sem lógica, como aquela que afirma que a inflação é combatida com o aumento dos juros; mas que, ao aplicá-la, interpreta-a erroneamente, em vez de ser sobre os juros bancários, faz os juros definidos pela taxa SELIC. Este mero erro de interpretação fez com que a nossa dívida do início do governo FHC pulasse de 60 bilhões de reais para o trilhão de reais que estarão sendo alcançados nos próximos meses além dos bilhões gastos com amortizações neste mesmo período. Todo este dinheiro foi jogado fora pelo governo, à título de uma luta contra a inflação, enquanto os brasileiros assistiam pacificamente por acreditarem piamente nos seus economistas.
A LÓGICA É A MÃE DE TODAS AS CIÊNCIAS.


