O mito da catástrofe

Se o COPOM baixar a taxa Selic para o mesmo valor praticado pelos países de primeiro mundo, o Brasil voltará a crescer como na época do milagre econômico brasileiro. SE A RECEITA É TÃO SIMPLES, PORQUE AINDA NÃO FOI FEITA? Simplesmente porque os interessados em manter os juros altos disseminaram na mídia o mito de que se o governo baixar os juros, as conseqüências serão catastróficas para o país, o que não é verdade.

Essa atitude só depende do presidente entender que o país continuará funcionando normalmente, e que não acontecerá nenhuma catástrofe, a não ser para aqueles especuladores que se beneficiam dos juros absurdos para remunerar a classe que investe nos papéis do governo.

No momento em que o valor da taxa Selic for determinada, por exemplo, 3% ao ano, essa classe esbravejará, não aceitando este valor. Diante dessa situação, o governo irá propor que esta classe invista seu dinheiro onde conseguirem rendimentos melhores. Nesse momento, estes especuladores vão querer receber o seu dinheiro investido de volta.

Na impossibilidade de pagar essa dívida de uma só vez ou em curto prazo, pois já está em mais de um trilhão de reais, o governo deixará os investidores sem opção, ou seja, eles terão que aceitar essa nova taxa, além de terem que aceitar um novo prazo para o pagamento da dívida de acordo com a capacidade do governo. Será feito um estudo propondo que os papéis já emitidos pelo governo sejam pagos em, por exemplo, trinta anos.

Isso não é calote, é apenas uma maneira de corrigir as injustiças que a atual política econômica está cometendo com aqueles que trabalham para pagar impostos altíssimos para sustentar uma classe que vive de especulação.

Salientamos que são pessoas honestas que aproveitam com inteligência e a seu favor as brechas da lei, já que a lei da usura, que está na nossa constituição, não conseguiu ser regulamentada.

Os juros baixos permitirão que o Brasil volte a crescer como quer o nosso presidente, e os especuladores, por não conseguirem mas as mamatas que vem usufruindo com juros altos, passarão a investir em indústrias que darão empregos para os brasileiros. Além disso, os bancos voltarão a atuar como verdadeiros bancos, financiando projetos que também trarão mais empregos, ao invés de visarem o lucro fácil e garantido que eles hoje obtém quando aplicam em papéis do governo.

Se o governo tivesse tomado essa atitude há um ano atrás, a dívida interna brasileira não teria crescido 100 bilhões, e seria hoje apenas 900 bilhões; dos 80 bilhões de superávit para pagar o custeio da dívida interna, usaria apenas 30 bilhões, sobrando 50 bilhões para o governo investir naquilo que julgasse prioritário. Teríamos criado mais empregos e o Brasil teria crescido muito mais em 2006.

Em resumo, o grande beneficiário dos juros baixos seria os ricos especuladores, porque terão a certeza que receberão o seu dinheiro de volta, pois, se o governo não tomar hoje essa atitude, o valor da dívida tornará tão alta que em breve não terá como ser rolada. Assim, mais cedo ou mais tarde, o Brasil acabará quebrando, deixando de pagar a sua dívida interna, com prejuízo somente para os especuladores.

A lógica do raciocínio acima é tão grande que nenhum economista poderá contestá-la. Assim, o futuro do nosso país passa pela existência de uma taxa Selic igual a dos países de primeiro mundo.

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