O aparente sucesso da economia brasileira nos últimos meses se deve exclusivamente ao setor agropecuário com o aprimoramento de tecnologias aplicadas ao cerrado na última década cujos resultados vieram recentemente, juntamente com a evolução ao nível administrativo dos negócios agropecuários, que praticamente nada têm a ver com os procedimentos governamentais. O crescimento das exportações também contribuiu para esse aparente sucesso. O que eu quero dizer com isso é que excluindo esses setores mencionados, o país continua de mal a pior.
- Os nossos filhos formam e não têm emprego.
- Na educação, não existe verba para pagar condizentemente os professores e nem tão pouco para promover a manutenção das escolas já existentes. E para agravar a situação, os professores estão praticamente proibidos de reprovarem os seus alunos nas escolas estaduais e municipais, pois se assim fizerem, não haveria vagas para os alunos novos que chegam. Com isso, as escolas estão formando alunos desqualificados. Essa anomalia serve também como enganação para afirmar que o Brasil possui um alto índice de escolaridade.
- Na saúde, vimos recentemente o absurdo da falta de verbas para a manutenção dos hospitais existentes, levando a situações ridículas como as montagens de "hospitais tendas" pela marinha brasileira a fim de resolver o problema de uma metrópole do porte do Rio de Janeiro. No país inteiro, as filas do SUS são imensas pela lentidão do atendimento por falta de verbas para remunerar mais funcionários, levando às vezes algumas pessoas a morrerem nas filas.
- No setor energético, na década de 70, o país investia 20 bilhões de dólares anualmente em grandes barragens e linhas de transmissão. De lá para cá, com o comando financeiro orientado pelos banqueiros que aumentaram seus rendimentos através dos juros, o nosso país só não parou por falta de energia elétrica porque o seu crescimento ficou estagnado.
- No setor de transportes, no início da década de 70, em um só dia, houve uma licitação de 83 trechos de estradas rodoviárias a serem executados. No final da década de 90, sete trechos colocados em licitação para duplicar a rodovia Belo Horizonte - São Paulo (BR 381) estão inacabados até hoje por falta de verbas. Depois de cada período chuvoso, os buracos infestam as estradas brasileiras, infernizando a vida dos que por ali trafegam, pois o governo não tem dinheiro nem para tampar os buracos das estradas.
- A violência alastra por todas as cidades do país, devido principalmente à falta de emprego para os jovens entrarem no mercado de trabalho, levando-os a praticar atos ilícitos como roubar e traficar. A escassez de emprego se deve principalmente aos altos juros bancários.
Últimos acontecimentos
- 24/04/05
A Manchete do ESTADO DE MINAS: "R$ 1 TRILHÃO - Dívida do País atinge esse valor em outubro de 2005."
De maneira geral, as pessoas não sabem interpretar os números. Elas lêem uma notícia como essa, mas não sabem o que isso significa. Com a atual taxa SELIC de 19,5% ao ano, isso vai representar um aumento anual na dívida de quase 200 bilhões de reais. Agora, vem a seguinte questão: Do que vale o tremendo esforço que o governo tem feito para alcançar um superávit que se destina a amortizar as suas dívidas se no final das contas tais dívidas, ao invés de serem reduzidas com esse superávit, acabam aumentando em mais de 100 bilhões de reais? Assim, as informações passam pelas pessoas que, por não saberem relacionar logicamente os números com a realidade, acabam sem conhecer o verdadeiro significado delas.
-25/04/05
O presidente Lula, pela televisão reclama com bravura dos brasileiros que, depois de uma semana de trabalho exaustivo, na sexta-feira, vão beber cerveja e aproveitam o momento para criticar os juros altos. Na opinião do presidente, eles não procuram ter atitude de buscar na segunda-feira por melhores taxas de juros para os seus empréstimos e cartões de crédito.
Mas, do que adiantaria trocar de banco que tem uma taxa de 160% ao ano para outro de 135%? Essa visão do nosso presidente vem provar que ele está definitivamente convencido de que os juros bancários no nosso país obedecem a lei da oferta e procura.
Esse conselho dado aos brasileiros deveria ser seguido por ele próprio, como chefe da nação, ao buscar a taxa para remunerar os empréstimos feito ao país, o que diferentemente dos brasileiros que são obrigados a procurar taxas menores, a taxa aplicada aos empréstimos governamentais é definida pelo próprio governo através da SELIC. E para agravar a situação, os economistas já convenceram o presidente de que o valor da SELIC é determinado pela lei da oferta e procura, evitando de enfatizar que essa lei só funciona para um mercado que apresenta pluralidade de oferta e procura e não para aquele onde, praticamente, o único tomador de empréstimo que obedece essa taxa é o governo.
E, o mais importante é que o presidente orientado pela sua equipe, acredita que esteja, realmente, combatendo a inflação quando aumenta a taxa SELIC. Veja: Inflação.
A luta contra a inflação deve ser feita com o controle dos juros que a população usa para as suas compras, ou seja, os JUROS BANCÁRIOS. Sobre esses o governo não tem nenhum controle. O aumento da taxa SELIC serve apenas para aumentar a DÍVIDA BRASILEIRA. Quem define o aumento desta taxa é a necessidade dela ser fabulosamente atrativa para atrair novos investidores sem os quais o país não terá condições de rolar a sua DÍVIDA.
Esses novos investidores, que na verdade são os mesmos que vêm emprestando ao país, só continuam emprestando graças ao tamanho das suas uzuras. Eles sabem que muito em breve que o Brasil não terá condições de continuar nesse processo de rolagem.
Mas como deixar de ganhar 19,5% ao ano para ganhar 2% ou talvez menos, em papéis que não tenham nenhum risco? Já que até os dias de hoje o país vem conseguindo honrar os seus compromissos.
Nesse mesmo dia 25/04/05, é anunciado que o governo pretende ajudar as microempresas que são as maiores empregadoras em qualquer país, com empréstimos condizentes com a capacidade de pagamento dessas microempresas. Tais empréstimos não poderão ultrapassar a taxa de 4% ao mês.
Aqueles responsáveis por esse empreendimento esqueceram ou não têm conhecimento de que, logo após a revolução de 1964, várias pessoas foram intimadas a prestar esclarecimentos nas delegacias por serem agiotas que emprestavam dinheiro com os juros a 2,5% ao mês, portanto taxas de grandeza de 4% ao mês, eram proibitivas naquela época pois infligiam a lei da usura e deveria ser também proibida nos dias atuais. Eles esqueceram também que, de acordo com a nossa lei magna, os juros reais no Brasil não podem superar a taxa de 12% ao ano. Essa lei só não está funcionando porque não foi regulamentada devido à influência de grupos que não têm o interesse em dá-la funcionalidade, convencendo os representantes do país que não seria possível definir o que é juros real, e também que os juros deveriam ser livres obedecendo a lei da oferta e procura, porém no Brasil não existe essa liberdade de mercado. Isso será explicado numa próxima oportunidade.
Infelizmente, esse é o quadro real do nosso país. O presidente Lula foi eleito pela necessidade que o povo tinha de mudar a política financeira do governo FHC. Eleito, mesmo aqueles que não votaram nele, tinham a esperança de uma mudança na política econômica do país que fosse mais justa com todas as classes. No entanto, convencido pelos economistas, continuou com a mesma política de FHC que favoreceu apenas as classes mais abastardas. Portanto, é importante enfatizar que, se Lula continuar adotando essa mesma política, o desejo de transformação na política econômica voltará revigorado nas classes menos favorecidas, ou seja, o povão lamentavelmente não elegerá o Lula ou qualquer um de seus companheiros de partido para o próximo mandato.
O que acaba de ser exposto acima, tem origem unicamente na política de juros altos do governo. Ele tem batido sucessivamente recordes na arrecadação, no entanto:
- ao pagar a folha do funcionalismo,
- ao cobrir o déficit da previdência social (INSS),
- ao pagar uma parcela dos juros,
sobra muito pouco para investir nas necessidades básicas da administração governamental. Daí se conclui mais uma vez que o cerne dos problemas brasileiros reside nos juros altos. A taxa SELIC só aumenta a dívida do país, minando qualquer possibilidade de uma boa administração, enquanto os juros bancários são responsáveis pela INFLAÇÃO e pelo DESEMPREGO.







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