A mentira da transposição do rio São Francisco - Novembro/2005. Transposição do Rio São Francisco III

O governo está mentindo levianamente para o povo brasileiro quando afirma que vai resolver o problema da seca para uma população de aproximadamente 6 milhões e oitocentas mil pessoas residentes no nordeste.

O problema da seca no nordeste não é a água e sim a distribuição desta. A engenharia consegue levar parte da água do rio São Francisco a qualquer cidade ou projeto de irrigação. O que ela não consegue é distribuir esta água para uma população espalhada, como na área que o governo pretende acabar com a seca.

Aqueles habitantes que estiverem localizados a três, dez, cinquenta, cem ou quinhentos quilômetros do canal, o que representa 95% da população visada, não terão como acessá-las. Ex: o Vale do Jequitinhonha, com 53 municípios, passa por períodos de seca idênticos ao do nordeste brasileiro. O rio Jequitinhonha é perene, no entanto, no período da seca, apenas os moradores ribeirinhos têm acesso a essa água. Aqueles sitiantes e fazendeiros localizados a mais de cinco quilômetros do rio, que corresponde a maioria dos habitantes do vale, estão sujeitos a perderem seus animais por falta de água na época das grandes secas.

Assim, baseado no raciocínio acima, não procede nem mesmo a discussão do projeto de transposição. A grande polêmica criada referente a custos, meio ambiente e revitalização se torna inócua porque o projeto não atende ao seu objetivo principal que é resolver o problema da seca para o sofrido povo nordestino.

Se o Governo quiser abastecer a cidade de Campina Grande, na Paraíba, ou um projeto de irrigação no município de Jatí, ele poderá fazer utilizando a água do rio São Francisco. Porém, certamente deve existir alternativas locais a um custo muito inferior.

O presidente é o principal responsável por este projeto. Mas creio que ele, por falta de esclarecimentos lógicos, não sabe que é impossível economicamente e fisicamente aliviar a seca dos nordestinos como está propondo através deste projeto. Portanto, quem está mentindo são seus assessores, ou por falta de lógica ou por motivos escusos.

No projeto não há detalhes de como será feita a distribuição e os custos desta, pois esta distribuição é impossível. Só a natureza, com as suas leis simples e lógicas, tem a capacidade de distribuir água numa região:

O ciclo de distribuição começa com a captação da água das chuvas através do sistema de bacias hidrográficas, que conduzem a água até o mar. Ali, os raios solares evaporam a água eliminando as impurezas, transformando-as em nuvens. Essas nuvens são levadas para os continentes através do vento e, por meio das chuvas, a água é distribuída em todas as regiões, começando novamente o ciclo. Não é necessário ser especialista em alguma profissão para chegar à conclusão que tudo aqui relatado é verdade, basta a pessoa ter um raciocínio lógico.

Comentários recentes